Quintal e dia a dia

Galinheiro, piquete, alimentação, comportamento: as respostas da Elsanor para o dia a dia das suas galinhas no quintal.

34 perguntas

As raças que classificamos como muito calmas são Brahma, Faverolles Alemã GR, Galinha sedosa barbuda, Galinha sedosa de cabeça branca, Orpington. São as que aceitam aproximação e manuseio sem se debater. Cuidado para não confundir calma com sedentarismo: uma galinha calma pode continuar ativa e curiosa; ela simplesmente se apavora com menos facilidade. O temperamento consta em cada ficha, e o catálogo pode ser filtrado por ele.

A raça dá uma tendência, a criação faz o resto. Um pintinho manuseado com delicadeza desde os primeiros dias continuará manso a vida toda, inclusive em uma raça com fama de ativa; ao contrário, uma galinha muito calma comprada já adulta, da qual ninguém nunca se aproximou, manterá distância. Se você quer galinhas que venham até você, adquira-as jovens e passe tempo junto delas.

As raças que classificamos como muito ativas são Cream Legbar, Janzé, Olive egger, Sulmtaler. Elas exploram, ciscam muito e toleram mal o confinamento — são excelentes galinhas para piquete, mas exigem espaço e, com frequência, uma cerca reforçada. Aliás, a atividade costuma vir acompanhada de uma altura de voo elevada: verifique os dois critérios em conjunto.

As raças ativas e rústicas são as que melhor se viram sozinhas: buscam boa parte da própria comida, localizam os abrigos e reagem rápido ao perigo. Isso não quer dizer que se possa deixá-las sem vigilância — uma galinha independente também é uma galinha que se afasta, transpõe uma cerca e se coloca em perigo. A independência é um temperamento, não uma autonomia.

Aquelas cuja altura de voo é a mais baixa: Cochinchina, Galinha sedosa barbuda, Galinha sedosa de cabeça branca. Uma cerca baixa basta para contê-las, e elas não tentam passar por cima. Ao contrário, uma raça classificada em 2 m ou mais transporá sem esforço uma tela comum. É o critério mais determinante se o seu quintal não for coberto — muito à frente do tamanho da raça.

Sim, e esse é até o caso mais comum entre os amadores. A hierarquia se estabelece em poucos dias, com bicadas que impressionam, mas não deixam de ser normais. Duas precauções: introduza as novatas juntas, em vez de uma de cada vez, e preveja espaço, comedouros e bebedouros suficientes para que uma galinha dominada sempre consiga comer. Os conflitos duradouros quase sempre vêm da falta de espaço. Uma observação feita em nossos galpões: mesmo quando se dão bem, as galinhas se agrupam espontaneamente por afinidade — em um plantel de várias raças, algumas se misturam pouco com as outras e, dentro de uma mesma raça criada em duas cores, as aves se reúnem naturalmente por cor.

É possível, mas requer vigilância. Não é o tamanho que causa problema — uma anã ativa domina muito bem uma gigante plácida — e sim a diferença de temperamento e o acesso à comida. Acompanhe de perto os primeiros dias e multiplique os pontos de alimentação. Atenção também ao galo: um galo grande com galinhas anãs pode machucá-las no acasalamento, o que exige piquetes separados durante a reprodução.

Tantas quanto o espaço permitir, desde que se trate apenas de ter galinhas. Tudo muda a partir do momento em que você quer reproduzi-las: para obter pintinhos de raça pura, é preciso um piquete por raça, ou trabalhar em rodízio, deixando passar três semanas após uma troca de galo. É essa restrição, e não a convivência entre as galinhas, que na prática limita o número de raças de um plantel.

A maioria das raças é adequada, desde que o abrigo seja seco e sem correntes de ar — é a umidade, muito mais do que o frio, que causa problemas às galinhas. As raças de crista pequena e plumagem densa são as que passam o inverno com mais conforto, sendo as grandes cristas simples as mais expostas ao congelamento. No verão, a sombra e a água fresca contam mais do que a própria raça.

Criamos aves na Bretanha, então a questão nos é familiar. A umidade por si só não é um problema se o abrigo permanecer seco; o que desgasta as galinhas é um solo permanentemente encharcado. Dois pontos de atenção: as raças de patas emplumadas, cujos tarsos se carregam de barro e congelam com mais facilidade, e os grandes topetes, que permanecem molhados. Um piquete drenado e uma cama renovada valem mais do que qualquer escolha de raça.

Uma ração de crescimento, menos rica em proteínas que a inicial, mas ainda substancial, e depois uma ração de postura no momento em que o aparelho reprodutor se forma. Nossa linha segue exatamente essa progressão — inicial, crescimento 1, crescimento 2, reprodução — porque é assim que alimentamos nossas próprias aves. O ponto a não perder de vista: não passar cedo demais para uma ração de postura, rica demais em calcário para um rim jovem.

Sim, mas não a qualquer hora nem de qualquer jeito. Espere até que ela tenha um tamanho próximo ao das adultas: uma franga jovem demais acaba maltratada sem poder se defender. Introduza várias ao mesmo tempo em vez de uma só, de preferência ao anoitecer, no poleiro, e deixe que primeiro se vejam sem se tocarem durante alguns dias.

Porque a ordem hierárquica é redefinida a cada chegada: cada galinha precisa situar a recém-chegada em relação a si mesma. É barulhento, às vezes espetacular, e normal por alguns dias, até duas semanas. O que não é normal: sangue, uma galinha que não consegue mais chegar ao comedouro, ou um assédio que se prolonga por mais de duas ou três semanas. Nesse caso, separe-as e recomece de forma mais gradual.

No mínimo duas — a galinha é um animal gregário e nunca deve ficar sozinha. Mas três é uma escolha melhor: com duas, a perda de uma deixa a outra isolada, o que a coloca em uma situação difícil. Um grupo de três a seis galinhas funciona muito bem em um quintal comum, com uma hierarquia estável e poucos conflitos. Acima disso, o que conta sobretudo é que o espaço, os comedouros e os ninhos acompanhem o número de aves.

A regra continua sendo a mesma, qualquer que seja o número de aves: 2 a 3 m² por ave para o galinheiro e, no mínimo, 15 a 20 m² por ave para o piquete. Ou seja, cerca de 5 m² de abrigo e 35 m² de piquete para duas galinhas, o dobro para quatro. Se você faz questão de que o seu quintal não fique marcado pela passagem delas, conte, de preferência, com 60 m² por ave. Quando as galinhas saem o dia todo, o abrigo pode ser menor, desde que seja seco e protegido do vento.

Calcule um ninho para cada três a quatro galinhas, e de forma alguma um por galinha: quase todas preferem o mesmo ninho, e você verá regularmente duas se instalarem nele juntas. Coloque-os a uma altura moderada, protegidos da luz, com cama limpa. Um ninho escuro e tranquilo reduz muito a postura no chão.

Calcule cerca de 20 cm de poleiro por galinha, o que dá a cada uma o seu lugar sem empurra-empurra. As galinhas dormem empoleiradas por instinto: sem poleiro, elas se acomodam nos ninhos e os sujam. Um poleiro removível facilita muito a limpeza — é também ali, embaixo dele, que se alojam os ácaros vermelhos.

Entre 40 e 80 cm para a maioria das raças, e bem mais baixo para as raças pesadas ou calçadas: uma galinha gigante que pula de um poleiro alto pode machucar as patas ao aterrissar. Adapte às suas raças em vez de seguir uma norma geral, e preveja um acesso gradual se o poleiro for alto. A altura de voo indicada em cada ficha é uma boa referência.

A altura certa depende inteiramente da raça: nossas fichas classificam a altura de voo de 1 m a mais de 2 m. Para as raças mais voadoras, uma cerca comum não será suficiente — é preciso um viveiro ou uma rede de cobertura. Para as classificadas em 1 m, uma barreira baixa resolve. A atitude certa: verificar a altura de voo antes de comprar a cerca, não depois.

Não é desejável. A galinha é um animal gregário: sozinha, ela se entedia, fica medrosa ou, ao contrário, barulhenta, e sua saúde se ressente. Se uma delas ficar isolada pela perda das companheiras, volte a lhe dar companhia em vez de deixá-la assim — respeitando as precauções de introdução, que também valem nesse sentido.

Dois a três dias são viáveis com um bebedouro e um comedouro de grande capacidade, um abrigo seguro e um piquete fechado. Por mais tempo que isso, é preciso que alguém passe por lá. O risco não é a fome, mas o imprevisto: bebedouro virado, predador, galinha ferida, ou ovos que se acumulam, acabam quebrando e desencadeiam o hábito de comê-los.

Uma galinha de raça não tem as mesmas necessidades que uma poedeira híbrida: ela cresce mais devagar e sua postura é mais distribuída. Trabalhamos com quatro rações sucessivas — inicial, crescimento 1, crescimento 2, reprodução — formuladas para o nosso plantel, e é essa mesma linha que oferecemos às associações, aos revendedores e aos criadores amadores. O resto é questão de bom senso: grama, calcário à disposição, água limpa e nunca uma mudança brusca de ração.

Uma ração de postura completa, mais rica em cálcio, a partir do momento em que a galinha entra em postura — não antes, pois ela é rica demais em calcário para um rim jovem. Acrescente calcário à vontade: cada galinha consome aquilo de que precisa, e isso resolve a maioria dos problemas de casca. O resto — grama, insetos, verduras — complementa de forma útil, mas não substitui uma ração equilibrada.

Raramente, se a ração de base for completa e bem escolhida. Os suplementos têm sua utilidade em situações específicas: fim da muda, calor intenso, convalescença ou carência identificada. Em uso rotineiro, custam mais do que agregam. O calcário à vontade é a exceção: é útil o tempo todo para uma poedeira, e nada o substitui.

Com discernimento. Legumes, sobras de arroz ou de macarrão, cascas sem tratamento químico: sem problema, em pequena quantidade. Em contrapartida, evite tudo o que for salgado, doce, mofado ou estragado. Sobretudo, as sobras devem continuar sendo um complemento — uma galinha saciada de pão não vai comer sua ração equilibrada, e tanto a postura quanto a qualidade da casca se ressentem disso.

A maravalha continua sendo a referência: absorvente, fácil de retirar, e limita a umidade, que é o principal inimigo de um galinheiro. Oferecemos maravalha em nossa linha — a mesma que usamos em nosso próprio plantel. Evite a palha pura, que se compacta e mofa, e o feno, que retém umidade. O essencial está menos no material do que na renovação: uma cama simples e seca vale mais do que uma cama nobre e suja.

A raposa continua sendo o principal predador, mas a fuinha, as aves de rapina e, às vezes, o cachorro da vizinhança causam tantos estragos quanto ela. Três medidas bastam na maioria dos casos: trancar as galinhas à noite em um abrigo realmente fechado, enterrar ou dobrar a tela em uma extensão de uns trinta centímetros para impedir a escavação, e verificar regularmente o estado da cerca. A maioria das perdas acontece por uma abertura que se julgava tapada.

Conte com cerca de 100 ml por dia para uma galinha adulta de tamanho médio, mais em dias de muito calor, e água disponível o tempo todo. A qualidade conta tanto quanto a quantidade, e esse é um ponto muitas vezes negligenciado: uma água trocada regularmente em um bebedouro limpo evita que a ave tenha de mobilizar permanentemente seu sistema imunológico contra os germes de uma água suja. Esse gasto não se vê, mas cobra seu preço na postura, na fertilidade e na capacidade da galinha de se defender no dia em que surgir um problema de verdade.

Cerca de 100 g de ração por dia para uma galinha adulta de tamanho médio. Esse número cai assim que as aves encontram outra coisa: um piquete gramado, insetos, sobras de cozinha reduzem o consumo na mesma medida. Ele também varia com o porte da raça — uma anã come sensivelmente menos que uma gigante — e com a estação do ano. A referência útil, portanto, não é a quantidade fornecida, mas o estado das aves: uma galinha com uma ração adequada à sua fase e calcário à disposição come aquilo de que precisa.

Uma limpeza completa uma vez por ano é o mínimo, duas vezes é melhor. A frequência certa depende sobretudo de quatro coisas: o tipo de galinheiro, a cama utilizada — maravalha, por exemplo —, o acesso ou não a um piquete externo e o número de aves em relação ao volume. Um abrigo pouco povoado, com cama em bom estado e um piquete aberto o dia todo, fica sujo muito mais devagar do que um galinheiro densamente povoado onde as galinhas passam os dias. Entre duas limpezas completas, o essencial é a renovação da cama e a manutenção dos poleiros e dos ninhos, onde se alojam os parasitas.

Sim, e essa é a medida mais eficaz contra os predadores: quase todas as perdas acontecem à noite, em um abrigo que ficou aberto ou mal fechado. As galinhas se recolhem sozinhas ao anoitecer; basta fechar a porta atrás delas. Uma portinhola automática torna o gesto mais regular do que a boa vontade, desde que você verifique de vez em quando se ela realmente fecha e se nenhuma galinha ficou do lado de fora. O fechamento não dispensa um abrigo devidamente vedado: um galinheiro cuja tela se levanta não detém nem a fuinha nem a raposa.

Porque elas são muito sensíveis às variações de intensidade luminosa. Assim que a luz diminui, o instinto as leva de volta ao galinheiro para se abrigarem, bem antes de a noite cair: é um reflexo de proteção, herdado de ancestrais que passavam a noite empoleirados fora de alcance. O horário, portanto, segue a luz, e não o relógio — muito cedo em dezembro, tarde em junho. É também por isso que não adianta querer recolher suas galinhas: elas vão sozinhas, e só resta fechar a porta atrás delas.

Não, e uma luz permanente faz mal a elas: as galinhas precisam de um verdadeiro período de escuridão para descansar, e uma iluminação noturna contínua perturba seu ritmo sem trazer benefício algum. É diferente da iluminação complementar usada nas criações para alongar o dia no inverno, que prolonga a claridade no início ou no fim do dia, mas deixa a noite intacta. Em um quintal doméstico, a queda de postura no inverno é um descanso natural: forçá-la não é necessário nem desejável.

Em boas condições, uma galinha se adapta a uma faixa ampla, da ordem de −10 °C a +35 °C. O que conta não é o termômetro, mas aquilo de que ela dispõe: bem alimentada e devidamente hidratada, ela suporta notavelmente bem as variações. No inverno, o essencial é um abrigo seco, protegido do vento, da chuva e da neve — é a umidade combinada às correntes de ar que causa problemas às galinhas, muito mais do que o próprio frio. No verão, é preciso um ponto de sombra bem ventilado: um galinheiro colocado sob uma árvore vale mais do que um abrigo fechado em pleno sol, e a água fresca passa a ser a prioridade.
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